Publicado por: giselepelisoli | 21/03/2011

O Retorno

Depois de quase um ano e meio decidi retomar o blog. O motivo de ele ter iniciado foi a minha estadia na Índia, mas quem me conhece sabe que vai fazer um ano que estou de volta. Sim, eu parei de escrever ainda lá, pois eu tinha medo de voltar para casa. Quando voltei fiquei deprimida sonhando com a Índia, e não queria escrever. Quando eu finalmente me recuperei, parecia que não cabia mais eu falar nada, pois já fazia tanto tempo… Mas hoje eu decidi voltar caros leitores (que eu pretendo reconquistar). Ainda tenho muito a dizer, não somente sobre a Índia, mas sempre sobre sua influência. Não posso e nem quero negar a influência que esse país teve sobre mim, como toda a minha forma de pensar foi afetada com o que eu vivi e aprendi lá.

Eu costumo dizer que se eu precisasse definir em uma palavra o que eu aprendi na Índia, eu escolheria Intensidade. Por vários motivos eu levava, antes de viajar, uma vida amortecida, sempre pensando no futuro e sem focar no presente. Eu não era feliz, mas não era triste também… mas chega um momento que essa sensação te sufoca. Confesso ao mundo o que eu nunca antes tive coragem de dizer: quando eu viajei, eu fugi. Sim, fugi de tudo que eu não sabia, de tudo que eu tinha medo. Foi preciso eu ir para o outro lado do mundo para aprender que é preciso viver, seja para o bem ou para o mal… ou pelo menos era isso que eu pensava até agora. Contradições? Sim, essa sou eu!

Mas eu explico o que me causou o questionamento. Eu tentei levar intensidade como um princípio de vida, dizendo sempre “eu não quero uma vidinha mais ou menos, eu não quero olhar para trás e pensar que eu não vivi a minha vida”. Bom, meus caros, lembrem-se que intensidade é uma questão de extremos: muito bom, e muito ruim também. O muro de proteção não está lá e você também quebra a cara. Preciso confessar que hoje foi feio.

Eu tive os 10 minutos mais longos da minha vida. Tá, isso é um exagero, mas eu sempre quis dizer isso 😛  Mas deveras foram 10 minutos difíceis, caminhando de um café até a minha casa. Foram 10 minutos caminhando com a minha melhor amiga e o meu namorado, em que ninguém disse nada, mas o silêncio gritava. Gritava que eu fiz besteira, e nada do que eu fizer agora pode desfazer o que fiz; gritava que eu magoei pessoas muito importantes e que eu jamais queria magoar; gritava que eu não era bem vinda ali. E como eu cheguei nessa situação? Intensidade. E se eu parar para refletir, isso me causou também uma briga com meu melhor amigo que ainda está na Índia, e outras tantas com o namorado, esse mesmo da caminhada.

Agora caros leitores, eu realmente to precisando de uma opinião. Eu questiono: seria realmente boa a minha tal intensidade?

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Responses

  1. Intensidade eh otimo. O problema no seu caso foi o pais que escolheu viver heheh. Passei pela mesma situacao com indianos, mas sem ir para a India. Eu trabalho com indianos, e estou morando na casa de hospedes da empresa para a qual trabalhamos. Enquanto soh trabalhava, achava otimo, pessoal humilde, tranquilo, sempre em paz, honesto, repletos de nova cultura, intelectual e carinhoso. Apos comecar a morar com eles, passei a caracteriza-los da seguinte forma: passivo-manipulativos, fofoqueiros, moralistas, tambiqueiros (falsificam mais coisas do que chineses), pao-duros, porcos ao extremo (procurem saber como eles se limpam – nao usam papel higienico), estupidos em sua religiao e deuses (nao curto nenhuma religiao, mas pelo menos a maioria das pessoas no ocidente pega mais leve), sanguessugas e principalmente, ai vai a caracteristica principal: Mentirosos compulsivos. Os caras tem mais de 200 linguas em um unico pais completamente dividido, e o ingles como vc disse, eh deploravel. Trabalho em uma das famosas IT desi agencies nos eua, os caras dominam 80 porcento do mercado de informatica do mundo soh na base da trambicagem… Esses caras comem com a mao, com a boca aberta e fedem o dia inteiro.
    Acho que deve estar mais feliz no Brasil, com excecao da comida indiana, que eu acho maravilhosa, o Brasil nao tem nada a perder pra India nao…

    • Olha Marcelo… o que eu posso te dizer é que em todo lugar vai ter o lado bom e o lado ruim… tanto pra coisas quanto para pessoas. Acho ótimo você valorizar o Brasil, acho que falta nacionalismo no nosso povo… mas não concordo com a generalização que você fez dos indianos…
      Enquanto morei la vi gente de todos os tipos… tive a minha cota de moralistas fofoqueiros… mas também de gente que me escutava e apoiava
      Trambiqueiros… é, eles tentam enganar o turista… mas aqui isso também acontece! Eu me lembro de uma viagem a Salvador em que eu, loira, pagava 3 reais numa agua de coco, mas minha amiga de viagem, mulata, pagava 1 real. Porque? Ora, ela parecia local, e eu turista!
      Sobre a higiene, confesso que eles tem muito a desejar… desodorante lá é artigo de luxo, e faz a maior falta… Tem muito pó na rua e é quase impossivel manter as roupas limpas. Mas, por comerem com a mão, sempre lavam antes e depois (coisa que não vemos no Brasil com frequencia) e o hábito deles de banheiro é inclusive considerado ecologicamente correto. Não gastam papel, e, por usarem agua, estão realmente limpando a região, não espalhando como nós fazemos. Concordo que esse é um habito difícil de se acostumar, mas um menino da Guatemala que conheci lá me explicou, e eu vi que era verdade: eles tem um chuveirinho, se limpam com um jato d’água… se vc usar isso por tempo suficiente e se secar com o papel, ve que ele sai limpinho!
      Eu diria que estou feliz no Brasil sim … mas isso não faz a Índia menos especial 🙂

  2. do mundo nao, 80 do mercado de informatica dos eua


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